Simples e requintado. Assim pode ser resumido o show de Luiz Melodia da última terça-feira, no Theatro Net, em Copacabana. Sentei na primeira fileira e pude perceber bem sua cara de sono ao entrar, e observar atentamente todos os perdigotos que o cantor liberava enquanto soltava sua poderosa voz no microfone. Nem a chuva torrencial que se abateu sobre a cidade maravilhosa foi capaz de afastar a plateia, que lotou a casa e deixou o cantor orgulhoso.
No entanto, engana-se quem pensa que, pela idade ou pelo fato de ser um show no estilo voz/violão, o show perde em energia. Confesso que fiquei com o pé atrás quando confirmei que o show seria uma espécia de espetáculo de teatro, com poltronas numeradas e marcadas, sem a possibilidade de levantar ( a não ser para aplaudir no final).
Mas Melodia consegue, com a enorme ajuda de Renato Piau, seu companheiro fiel há mais de 30 anos, que já tocou com nomes como Cássia Eller, Luiz Gonzaga, Tim Maia, entre outros grandes astros da música nacional, contagiar o público, que mesmo sentado, interagiu bem com as músicas mais famosas como "Magrelinha", "Pérola Negra", "Estácio holly Estácio", "Estácio, eu e você", entre outras.
Luiz encontra-se em um momento e espaço favorável na música brasileira. Consegue fazer parcerias produtivas como as do DVD do Natiruts (onde canta Pérola Negra) e com a cantora Céu, em "Vira Lata", e se dar ao luxo de ter um intervalo longo entre seus lançamentos (o último álbum de inéditas saiu em 2009, o "Estação Melodia"). Consagrado, dá a impressão de que chegou naquele momento em que pode fazer o que quiser, pela sua experiência e credibilidade adquirida ao longo de sua sólida carreira.
Melodia se cerca de três músicos muito talentosos nas cordas. Piau de um lado, Charles Costa no violão de sete cordas e Alessandro Cardozo no cavaquinho. Os dois últimos conseguiram inclusiveuma parte do show só para exibir seu talento com seus instrumentos. Melodia esbanjou carisma desde o início do espetáculo, conversando e descontraindo a plateia entre uma música e outra, até na hora de oferecer água para Piau.
O show durou cerca de 1h30, mas quase não dá pra sentir o tempo passar. Houve espaço pára homenagens também, em "Codinome Beija-Flor", interpretado com muita segurança e personalidade, e a Oswaldo Melodia, seu progenitor e a quem Luiz credita a origem de seu talento. O show foi fechado, como esperado, com "Negro Gato", e um poderoso miado para lembrar a todos que Melodia ainda tem muita lenha pra queimar.


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