terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ainda há contexto

Foto do Facebook do D2


O pessoal quase esqueceu a falta de cerveja quando a atração principal da noite foi anunciada. O Planet Hemp voltava a Niterói depois de não sei quantos anos, para um show histórico no Teatro Popular da cidade, projetado pelo recém-falecido mais famoso do Brasil, Oscar Niemeyer. Tirando algumas falhas de planejamento estrutural da festa como a já citada seca de Skol, o Planet Hemp deu aos seus fãs do outro lado da poça um ótimo déjà vu do que foi os anos 90, e para os mais novos, uma boa lição do que é um verdadeiro show de rock.

Antes do Planet subiram ao palco Nayah, Projota e Ponto de Equilíbrio, que cumpriram bem seus papéis. Destaque pro rapper paulista, que no meio de duas bandas de reggae conseguiu manter o público (a maioria ali não conhecia) ligado e na vibe certa pro show do Ponto, que como sempre contagiou a galera, sempre receptiva às suas letras e pregações religiosas. A fé e entrega com que os fãs cantam suas músicas é de arrepiar, e desta vez não foi diferente.

Além da seca que se abateu nos bares do Teatro, outro aspecto que deixou a desejar no evento foi, em partes, a galera que compareceu. Na pista normal, muita gente assistia o show parado, contemplando apenas, sem muitas reações. Nem todo mundo parecia estar ali pelos shows em si, e sim pela chance de rever a galera que se encontra todos os dias no pátio da escola, ou na faculdade. Fora isso, a Pista Premium foi animada, e as rodinhas rolaram sem grandes incidentes. 

Ficou claro também que o espaço ali é muito subaproveitado. Apesar da aparente revitalização com os grandes shows marcados neste mês, alguns cantos do Teatro estavam cheios de moradores de rua dormindo, o que é um sinal do descaso da prefeitura com aquela região, com as pessoas, e com a obra de Niemeyer. Faltou sensibilidade aos produtores do evento, para evitar o contraste de

O Show

Para quem acreditava que o discurso do Planet Hemp não faria mais sentido nos dias de hoje, o vídeo do Away exibido antes da banda entrar no palco esclareceu: Sim, ainda há pelo que lutar no que diz respeito à questão das drogas no Brasil. Principalmente no momento em que os números mostram que a Guerra contra o tráfico mata mais do que a própria droga, e manifestações pacíficas como a Marcha da Maconha é reprimida sem motivo aparente pela PM. O vídeo exibido era esse:


O discurso do Away serviu pra inflamar a galera. Logo se ouvia a introdução de "Legalize Já", igualzinha à do MTV ao vivo de 2000. O show se divide em 3 atos, o primeiro, intitulado ""O Usuário e a Luta pela Legalização da Maconha" despejou pedradas do álbum usuário e incendiou, talvez literalmente, o Teatro, com "Dig Dig Dig", "Deis das seis", "Phunky Budha", "Mary Jane" e outras. No segundo ato, chamado "Os cães ladram, mas a caravana não para", teve as músicas do segundo álbum,  que leva o mesmo nome, de 1997. 

Não me perguntem o repertório completo, pois não levei canetinha pra anotar, e apesar de não ter fumado durante os shows, fiquei cansado demais pra memorizar tudo. estava mais preocupado em participar das rodinhas de pogo. Me lembro que neste segundo ato, o clima ficou mais ameno, com músicas como "Eu bebo sim" e "Nêga do cabelo duro", quando eu fiquei um pouco com sono. 

A banda inteira mostrou o habitual entrosamento, e ótimo desempenho nas músicas mais pesadas durante o show inteiro. Formigão no baixo e Rafael Crespo na guitarra tocaram o fino, e Pedrinho mandou muito também na bateria. Apesar do local amplo e aberto, o som estava bem alto e equalizado, dava pra ouvir bem de todos os pontos da arena. Já D2 estava claramente se divertindo muito no palco.

Aparentemente cansado do show em Brasília no dia anterior, compensou com bom humor seus lapsos de memória em algumas letras, e muitas vezes seu vocal foi ofuscado pela voz de B Negão, ainda em plena forma. Talvez pelo estilo diferente que os dois seguem hoje, B Negão estivesse mais favorecido. O terceiro ato fechou começou como se fosse o primeiro, toda a banda parecia ainda com muita energia e a fim de tocar pra galera. Os momentos de auge não poderiam deixar de ser os hinos "Mantenha o Respeito", "Contexto" e "Queimando Tudo", todas na ponta da língua até mesmo da galerinha do recreio. 

Talvez esse seja o maior trunfo desta turnê do Planet, a camaradagem e o clima descontraído de empatia que se cria entre banda e plateia, que permitiu até que D2 confessasse em um dado momento que tinha "se vendido", sem receber qualquer tipo de vaia ou coisa do gênero, apenas risos. Com o show, o Planet confirma a falta que uma banda autêntica faz no cenário nacional, e reafirma sua importância como referência para muitas bandas e artistas de hoje. 

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