sábado, 16 de novembro de 2013

No caminho do Triunfo


Emicida no palco do Circo Voador
Emicida parece cada vez mais maduro em sua carreira, e isso se reflete no palco, desde o primeiro momento em que a plateia o vê, vestido em traje vermelho elegante, como se dissesse "Neguinho o caralho, meu nome é Emicida, porra", a primeira frase que se ouviu da boca do rapper em seu show no Circo Voador, no dia 09 de novembro.

O roteiro do show pode ser dividido em duas partes: A primeira, onde são tocadas todas as músicas do CD novo, e a segunda, onde Emicida faz meio que um pout-porri de seus maiores Hits pra agradar também a galera das antigas. A versão suingada de "I Love Quebrada" ficou muito boa, por sinal. 

O show teve ótimas participações de Tulipa Ruiz, Quinteto Branco e Preto, Wilson das Neves e Elisa Lucinda (que tava uma figuraça no palco). Aliás, os encontros no palco foram muito bem aproveitados, e pareciam muito bem entrosados. Depois de cantar e ouvir o público cantar "Sol de Giz de Cera", Tulipa e Emicida repetiram o medley que têm feito em outros shows, com "Aqui", da cantora, e a segunda parte de "Outras Palavras", do anfitrião da noite. (Abaixo, um vídeo tirado do youtube da entrada e da primeira música do show, BANG!)


Antes da participação de Tulipa teve aquele momento mais pesado com Crisântemo, um relato autobiográfico de Emicida, assim como grande parte do "Glorioso...". No lugar da fala da mãe, o rapper encaixou uma rima nova, que preparou o terreno pra música seguinte coma  Tulipa, mais leve, como na ordem do CD.

Outro momento de destaque no show foi antes de "Trepadeira", que teve participação divertida e aclamada de Wilson das Neves. Como que para contextualizar a música acusada de machista por alguns grupos feministas, Emicida cantou "Vacilão", que é a história oposta da música nova, ou seja, um cara que pega geral e perde a mulher. Me lembrei na hora do argumento dele ao se defender em um post no Facebook. Pelo menos ali não houve qualquer tipo de manifestação contrária à letra, nem menção à polêmica pelo próprio Emicida. A indireta estava dada.

Talvez o único aspecto passível de crítica (tanto no CD quanto no show, mas principalmente no CD), ao colocar a catarse do show de lado, seja o excesso de letras personalistas, que falam de vitória pessoal. Isso não chega a ser um problema, é inclusive uma corrente/estilo inerente ao Rap, mas que em excesso, caso a criatividade do artista comece a minguar, pode levar o trabalho a parecer um grande livro do Paulo Coelho, como acontece com muitos caras experientes que não se renovam, ou seja não têm repertório suficiente  ou coragem para arriscar variar de assunto e inovar.

Letras desse tipo são também mais aceitas pelo público em geral e pelo mercado, o que talvez seja um objetivo do Emicida (o que não condeno), e ele próprio já falou em entrevistas que deseja alcançar a maior quantidade possível de espaços e pessoas com a sua música e mensagem. No entanto, essa proposta foge um pouco do que eu considero ser o ponto mais interessante do Hip-Hop em sua faceta de movimento social, que é o de mudança pela ação coletiva e pela conscientização dos problemas coletivos da sociedade como um todo. Do ponto de vista musical, não acredito que deva haver limites para a criatividade e versatilidade do artista, nem acho que seja saudável limitar-se apenas a um estilo. 

Até aqui, Emicida tem e mostrado preparado contra essas "armadilhas", porque até aqui ele tem combinado de maneira sábia as histórias individuais contadas em suas letras aos problemas comuns de grande parte do povo das periferias do Brasil, o que gera identificação e também conscientização. 

Emicida fez questão também de exaltar os nomes consagrados do rap, de MV Bill, Racionais a Marechal, e também de lembrar uns funks antigos, que claro, todo bom carioca curte um pouco. O show durou mais ou menos duas horas, ou duas horas e meia, com tempo de sobra pras conversas de Emicida com Nyack, e as participações de Fióti e Rael em "Só Mais uma Noite" e "Outras Palavras", respectivamente. 

Em resumo, esse CD e essa turnê consolidam Emicida em um novo patamar musical. O que só aumenta a curiosidade e a exigência sobre seus próximos trabalhos, que precisarão manter esse alto nível alcançado. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Entre cervejas e Teresa Cristina na Leopoldina


O show da Teresa Cristina no dia 5 de outubro, na antiga estação da Leopoldina foi ótimo, para quem conseguiu ouvir alguma coisa. Já tinha sido avisado que o som do lugar era ruim, mas por não ter a audição tão apurada assim não imaginava que fosse tanto, mesmo para mim, que estava bem na grade, a poucos metros da Teresa e da banda.

Se o som não estava lá dos mais agradáveis, não se pode dizer a mesma coisa do repertório escolhido por Teresa. Desde clássicos da velha guarda da Portela até sambas mais conhecidos do grande público como "Vou festejar", "Coração Leviano", "Foi um rio que passou em minha vida", e outros. Em um certo momento a cantora chegou até a perguntar pro público se dava para ouvir bem a banda. 

Um momento especial do show foi qando Teresa dedicou "Pecado Capital" às manifestações dos professores, que naquele momento estavam no auge. Acredito que o trecho em especial que mais s encaixa no momento era "Mas é preciso viver/ e viver não é brincadeira não/ quando o jeito é se virar/ cada um trata de si/ irmão desconhece irmão/." sobre as dificuldades do dia a dia dos profissionais da educação. 

Talvez o ponto não tão forte de seu show tenha sido a esfriada no clima mais ou menos na metade do show, mais precisamente em algumas músicas mais de "raiz" de seu repertório que não eram tão conhecidas do público especificamente daquele evento. No mais, Teresa pareceu bem à vontade no palco, tanto que voltou para fazer pelo menos dois "Bis" aparentemente não programados, que empolgaram mais ainda a galera que já bebia por ali desde as 14h.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

O que vi e ouvi do Rock In Rio 2013



Fui no segundo dia de Rock In Rio pra ver só o Muse, praticamente. As outras bandas que tocavam no dia 14 no palco Mundo não em enchiam muito os olhos, então eu não em esforcei muito pra ouvir a O 30 Seconds to Mars nem a Florence, me desculpem. Do que vi, posso atestar que aFlorence tem uma voz bem potente, que dava pra ouvir do banheiro, e que o 30 seconds conseguiu cativar o público graças a seu vocalista bonitinho que saltou da tirolesa (furando fila, diga-se de passagem, porque ao lado dos outros mortais estava impossível).

Um parenteses mais do que especial nesse dia: O show do Offspring, como esperado, ofuscou a panfletagem vazia do Dinho Ouro Preto. Não que fosse alguma novidade, mas os discursos de revolta política e rebeldia do Dinho Ouro Preto parece que não empolgam mais ninguém, como descreve bem esse texto bastante compartilhado ao longo da semana.

Depois que acabou o Capital, o Offspring descarregou toda sua energia noventista no palco Sunset, mesmo com o som meio baixo. Os hits agradaram e muito a galera, com direito a rodinha, coro e bis com o Marky Ramone. A Ana Maria Braga, O Dexter Holland e a banda sacaram bem a necessidade que o público estava de ouvir os sucessos antigos e lavou a alma dos dignos que não estavam aguardando o 30 Seconds ou a Florence.

Estrutura

Com menos gente do que 2011, dessa vez a Cidade do Rock ficou mais arejada. Não sei se foi só no dia 14, mas tinha bastante espaço a uma distância razoável do palco mundo, de odne dava pra ver bem o show do Muse. Os banheiros femininos ao lado da roda gigante e do lado esquerdo do Palco Sunset foram os que mais tiveram reclamações pelas filas. Quando eu fui no masculino do lado esquerdo do palco mundo, encarei mais fila pra sair do que pra entrar, por incrível que pareça.

No mais, o sistema de circulação de ônibus, uma das principais preocupações minhas antes do festival, funcionou bem, melhor do que se previa. De ruim, pode-se destacar os preços dos comes e beber dentro do evento, o que mesmo não sendo nenhuma novidade não deixa de ser absurdo pagar R$10 em um copo de cerveja, ou R$15 em um sanduíche vagabundo do Bob´s.

O Muse

Enfim, depois de dar uns rolés pela Cidade do Rock, parei pra esperar o show do Muse, que começou quase que pontualmente, quando o relógio marcava os primeiros minutos do domingo. A primeira música já dava uma mostra do poder de fogo da banda, ams foi com a segunda, Supermassive Black Hole, que a galera foi ao delírio no ritmo dançante das infalíveis guitarras Musianas. E Matt Bellamy não deixou a energia do show cair um só minuto, em nenhuma música sequer. Os maiores hits foram intercalados com músicas menos famosas, mas igualmente animadas e poderosas.

O que se convencionou chamar de "progressivo pras massas" pelos críticos profissionais funcionou. Os fãs saíram satisfeitos, e quem não conhecia provavelmente ficou impressionado. Bellamy foi impecável na voz, na guitarra, no piano e no carisma, um Frontman completo.



Chamou atenção também a já famosa aplicação técnica da banda e a interação de Bellamy com o público, tanto diretamente com o telão do Palco como na pista andando no meio do povo com a bandeira do Brasil no rosto. Os pontos altos do show são difícieis de classificar em um espetáculo tão regular, mas arriscaria dizer que Time Is Running Out e Madness foram os momentos mais legais. Em Madness os fãs fizeram uma espécie de Flash Mob em que cada um levantava um papel escrito "I Need to Love", um trecho da letra da música.

Setlist do Muse: 
Supremacy
Supermassive Black Hole
Hysteria
Panic Station
Plug In Baby
Stockholm Syndrome
Feeling Good
Follow Me
Liquid State
Madness
Time Is Running Out
Unnatural Selection
Agitated
Uprising
Starlight
Survival
Knights of Cydonia
O resto do RiR 
Os demais dias do Rock In Rio não reservaram mutias surpresas em relação aos principais shows. Não vi a maioria, ou vi pouca coisa, mas do que soube, as unanimidades foram Beyoncé, Bruce Springsteen, Mettalica e Iron, além, é claro, do já citado Muse. Um pouco menos aclamados, mas não menos satisfatórios tivemos shows como o do Sepultura, Justin e Alicia Keys fizeram bonito também. 
O dia 20, como previsto foi o dia mais morno, sem nenhum show tão empolgante, fora a performance de Bon Jovi, que chamou mais atenção por ter dado alguns estalinhos em uma fã feia do que por qualquer inovação musical ou pela qualidade de sua desfalcada banda. No mais, você já deve ter lido o bastante pelos sites por aí. Agora é esperar 2015. . 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Shawlin comanda a festa com moral no Méier

Shawlin no palco e um dos grafites de Bruno Zagri*
É, parece que dessa vez deu pra ouvir a voz do rap chegando. A segunda edição da Hip-Hop Trip na véspera do dia 7 de setembro representou o grito de independência do rap carioca. Com o mérito de trazer jovens promessas e nomes já consagrados da cena, o nível da primeira, que teve Marechal, Filipe Ret e MR Break, foi mantido com Shawlin, Spliff Rap, Essiele e Luccas Carlos nesta edição.

O primeiro show, do Spliff Rap, confirmou a boa expectativa que havia, depois do lançamento do clipe novo e  do estilo da banda, meio despojada, à vontade, com influências de reggae que deixam o som suingado, leve e gostoso de ouvir, mesmo para quem não conhece.

Spliff Rap no palco

A apresentação terminou com uma galera da plateia em cima do palco exibindo seus skates como se fossem troféus, e uma energia maneira para os shows seguintes, de Essiele, com seu rap malandreado e bem encaixado, e Luccas Carlos, que também empolgou a galera com seus hits "Baile"(que tem a participação do Start), "É real" e "GANG", que teve a ajuda de Sant e Essiele no palco.



Shawlin já pegou a galera no ponto para mandar suas pedradas em forma de rap. E a recepção não podia ser melhor. Em sintonia perfeita com o público, DJ e MCs de apoio, o mano Shaw dificilmente não agradou a quem não o conhecia. Mesmo os que não conheciam as letras e não entendiam muito bem o que estava sendo cantado ali sentia a emoção das batidas e de seus refrões marcantes. Os auges foram "Cachorro Magro", "A Área" e "Coração", cantada a plenos pulmões por todo o teatro.

Uma pequena mostra do que foi a noite você confere no vídeo da Corre Produções, aqui - http://www.youtube.com/watch?v=EsQhMwvqiM0

A festa vai ter mais uma edição no dia 20/09, com shows do Cartel MCs, Mr Break e do grupo SPV, no mesmo local (Teatro Agildo Ribeiro), e horário. Se quiser mais informações, chega no evento do Facebook.


* Foto tirada do Facebook oficial da Hip-Hop Trip.
** Foto de Bruno Velloso

terça-feira, 9 de julho de 2013

O rap sem medo de ser feliz




O "novo rap nacional" definitivamente não tem mais nada o que provar a ninguém. Sem se preocupar com antigos dogmas, sem se preocupar em forçar cara de mal e sem medo da mídia (muito pelo contrário), o show de lançamento do DVD do Criolo e Emicida na Fundição cumpriu bem as expectativas e coroou os dois principais nomes do rap nacional da atualidade.

Ao contrário de outros shows na Fundição, esse não começou tão tarde. Por volta de 1h30 da manhã a banda já estava a postos para soltar a primeira pedrada, "Zica, Vai lá". Sem deixar a pelota cair, Emicida emendou "Dedo na Ferida" para galera extravasar parte da raiva com os políticos do país. 

Ao final da segunda música, Emicida teve uma breve conversa com a galera para perguntar se já tinham visto o DVD, a deixa para chamar Criolo ao palco e levar a Fundição abaixo. Claramente a maioria dos fãs ali conhecia mais do Criolo, talvez pela maciça divulgação do evento na MPB FM. Ao final de cada sessão de duas ou três músicas, Criolo era ovacionado enquanto Emicida recebia aplausos mais tímidos, talvez por conta dessa característica geral do público.

Emicida apostou em bons hits que não entraram no DVD como "Vacilão" e "Sorrisos e Lágrimas" que não empolgaram a galera não tão conhecedora do seu trabalho. Criolo não arriscou e manteve o repertório do seu consagrado show do "Nó na orelha", mais do mesmo que funciona muito bem. Os dois, no entanto, mostraram entrosamento e naturalidade ao passar de música pra música, com ajuda de uma banda bem afiada e um Ganjaman sempre brilhante.

Rael da Rima também ganhou bastante espaço, tanto nos backing vocals, como na música própria de trabalho que cantou. Ao longo do show, Emicida foi ganhando a plateia com "Outras Palavras", "Rua Augusta" "Viva!" e seu hit maior, "Triunfo". 

Para compensar a ausência de Mano Brown, que participa do DVD, os MCs fizeram um tributo a grandes nomes do rap nacional como os próprios Racionais, De Menos Crime, Sabotage, entre outros. No final ainda teve tempo para um mini-baile funk comandado por Dan Dan, Rael e Emicida, para dar o tempero carioca ao momento. 

Os dois ainda seguem em turnê única por Curitiba, Florianópolis e São Paulo. Mesmo que os fãs mais mais exigentes de cada um sintam falta de algumas músicas dos shows solos, vale muito a pena presenciar esse momento icônico para o rap nacional, que assume um protagonismo inédito e grandioso no cenário cultural brasileiro. E o melhor de tudo, sem depender das grandes gravadoras. Vida longa aos dois.

PS: A foto é do Facebook oficial do Emicida

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Um táxi pra estação lunar


Foto tirada do meu celular mesmo, por isso que tá ruim

Talvez o show de Geraldo Azevedo coubesse melhor em uma casa em que se pudesse ficar de pé e dançar. Foi realmente uma pena ouvir algumas de suas músicas mais animadas sentado, por mais que alguns casais tenham se arriscado a levantar e dançar um pouquinho, mais pro final do show.

Fui no show do dia 23 de março, um sábado, no Teatro Rival, sem muita expectativa, já que não conheço quase nada da obra de Geraldo, fora algumas músicas que escutei na própria semana do show, só pra não boiar totalmente. Esperei por "Dona da minha cabeça", a segunda música do show, e fui atendido logo depois da primeira música. A temporada fez parte da comemoração de 79 anos da casa, com três shows, nos dias 21, 22 e 23 do mês passado.

Geraldo interagiu muito bem com a plateia nos intervalos entre as músicas, e mostrou bastante de seu lado ativista, ao falar sobre as questões que afligem o Nordeste, como a seca e a situação dos rios, especialmente do São Francisco, rio com o qual o cantor tem relação íntima, pois nasceu em Petrolina, Pernambuco, às margens do velho chico.


O rio foi inspiração para seu último CD, "Salve São Francisco'", de 2011, no qual canta com outros ilustres intérpretes da música brasileira oriundos de cada estado cortado pelo São Francisco. Geraldo foi acompanhado por seus filhos Lucas Amorim e Tiago Azevedo nas percussões, e Clarice Azevedo nos vocais, que inclusive escolheram parte do repertório do show. 

Clarice teve um destaque maior, fazendo os vocais de apoio, e depois, cantando sambas de sua própria autoria. A voz da menina não chega a impressionar, talvez pela comparação imediata à voz grave do pai, mas as letras da menina não fogem muito dos clichês de outras novas (e boas, diga-se de passagem) cantoras de samba/mpb. 

Outros momentos dignos de nota do show foram "Táxi Lunar", "Bicho de sete cabeças", trilha do filme homônimo estrelado por Rodrigo Santoro, "Canção da Despedida", "Ai que saudade D'ocê", "Moça Bonita", entre outras que a galera sabia de cor, mesmo os mais novos (que não eram tão poucos no teatro). 

Um dos ápices do show foi "Dia branco", linda canção e letra que é por vezes mais lembrada por ser estragada cantada pelo Asa de Águia.  O cantor brincou que essa seria a música mais tocada em casamentos na Bahia. A simplicidade de Geraldo transborda em suas letras e conquista qualquer um, fácil. Abaixo a versão de Dia Branco do DVD do Geraldo. Vale muito a pena. 



Geraldo deve ganhar um destaque maior no decorrer desse ano, com o remake de Saramandaia, na Globo, que tem uma música sua na trilha. No mais, fica a lição aos mais jovens: busquem conhecer mais sobre os artistas do Nordeste de outrora, com certeza há muitas pérolas esquecidas por aí. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O que esperar do Rock In Rio 2013?


Hoje saiu a notícia de mais duas bandas confirmadas no chamado maior festival de música do mundo: Florence and The Machine e 30 Seconds to Mars, que tocarão no dia 14 de setembro, mesmo dia do Muse. Já temos boa parte das atrações do palco mundo confirmadas para este ano, e entre elas, algumas prometem ser ótimos shows, e outras parecem ter sido convidadas com no mínimo dez anos de delay.

De volta à década de 80?

Não há o que falar de atrações inquestionáveis como Metallica e Iron Maiden, ou mesmo a Beyoncé, que não é nem rock, mas é um bom pop e vale a pena pelo fetiche. O Muse é com certeza, a atração mais bem escolhida, considerando o momento da carreira da banda, sua relevância internacional (não estão ultrapassados) e a qualidade técnica e de performance ao vivo indiscutíveis.

Os shows mais duvidosos, a princípio, foram concentrados em um dia só, o dia 20 de setembro. Ali, Medina convocou Nickelback, Matchbox Twenty e Bon Jovi. Os três parecem já ter passado de seu auge há tempos, e vivem fazendo covers de si mesmos. Claro que isso agradará aos seus fãs, mas não vejo nada que essas bandas possam trazer de novidade ou de revolucionário ao festival, para marcar época.

Com as duas últimas atrações anunciadas, o dia 14 já tem fechado seu line-up do palco mundo: Capital Inicial, Florence, 30 Seconds to Mars e Muse, no que começou a ser chamado de "dia alternativo". Este talvez seja, fora o Capital Inicial, o dia mais interessante de se assistir. Florence e 30 seconds to mars são um fator novo, e podem surpreender. E o Muse deve fazer mais um de seus shows épicos.


No dia 15 de setembro, temos confirmados apenas Bruce Springsteen e John Mayer. Dois bons shows, que podem ajudar a formar um line-up de respeito dependendo do que ainda vier por aí. O dia 19 também promete ser um dos melhores: Sepultura, Ghost, Alice In Chains e Metallica. Rock sem firulas, assim como o dia 22, com Iron Maiden, Avenged Sevenfold e Slayer. Lembrando ainda que o dia 21 não tem nenhuma atração do palco mundo confirmada, até o momento. Quem sabe umas boas atrações de rap e hip-hop neste dia?

Ainda dá pra melhorar. A maior crítica que faço ao Rock In Rio é o medo de arriscar. Florence é uma boa aposta, mas ainda é pouco. Desta vez, pelo menos parece estar havendo o cuidado de concentrar atrações semelhantes no mesmo dia. O Lollapalooza tá aí pra mostrar que dá pra fazer um festival com bandas de qualidade, com artistas consagrados e promessas. Resta torcer para que não caiam novamente nos clichês das bandas nacionais como Jota Quest e Skank (nada contra), ou de Guns. Inovar é preciso.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Muita lenha pra queimar



Simples e requintado. Assim pode ser resumido o show de Luiz Melodia da última terça-feira, no Theatro Net, em Copacabana. Sentei na primeira fileira e pude perceber bem sua cara de sono ao entrar, e observar atentamente todos os perdigotos que o cantor liberava enquanto soltava sua poderosa voz no microfone. Nem a chuva torrencial que se abateu sobre a cidade maravilhosa foi capaz de afastar a plateia, que lotou a casa e deixou o cantor orgulhoso.

No entanto, engana-se quem pensa que, pela idade ou pelo fato de ser um show no estilo voz/violão, o show perde em energia. Confesso que fiquei com o pé atrás quando confirmei que o show seria uma espécia de espetáculo de teatro, com poltronas numeradas e marcadas, sem a possibilidade de levantar ( a não ser para aplaudir no final).

Mas Melodia consegue, com a enorme ajuda de Renato Piau, seu companheiro fiel há mais de 30 anos, que já tocou com nomes como Cássia Eller, Luiz Gonzaga, Tim Maia, entre outros grandes astros da música nacional, contagiar o público, que mesmo sentado, interagiu bem com as músicas mais famosas como "Magrelinha", "Pérola Negra", "Estácio holly Estácio", "Estácio, eu e você", entre outras.

Luiz encontra-se em um momento e espaço favorável na música brasileira. Consegue fazer parcerias produtivas como as do DVD do Natiruts (onde canta Pérola Negra) e com a cantora Céu, em "Vira Lata", e se dar ao luxo de ter um intervalo longo entre seus lançamentos (o último álbum de inéditas saiu em 2009, o "Estação Melodia"). Consagrado, dá a impressão de que chegou naquele momento em que pode fazer o que quiser, pela sua experiência e credibilidade adquirida ao longo de sua sólida carreira.

Melodia se cerca de três músicos muito talentosos nas cordas. Piau de um lado, Charles Costa no violão de sete cordas e Alessandro Cardozo no cavaquinho. Os dois últimos conseguiram inclusiveuma parte do show só para exibir seu talento com seus instrumentos. Melodia esbanjou carisma desde o início do espetáculo, conversando e descontraindo a plateia entre uma música e outra, até na hora de oferecer água para Piau.



O show durou cerca de 1h30, mas quase não dá pra sentir o tempo passar. Houve espaço pára homenagens também, em "Codinome Beija-Flor", interpretado com muita segurança e personalidade, e a Oswaldo Melodia, seu progenitor e a quem Luiz credita a origem de seu talento. O show foi fechado, como esperado, com "Negro Gato", e um poderoso miado para lembrar a todos que Melodia ainda tem muita lenha pra queimar.