segunda-feira, 16 de abril de 2012

I hope you´re not too involved at all

É bom que vocês não tenham se apegado muito, porque o show do Arctic Monkeys foi um espirro de tempo perto do Foo fighters no dia anterior, e nada efusivo em comparação à performance de Dave Grohl. Nada que diminuísse a exuberância técnica da banda, que toca ao vivo com uma frieza e perfeição de cd gravado. A surpresa da apresentação foi o moicano de Alex Turner, que durante o show foi um pouco menos tímido do que de costume, interagiu moderadamente com a platéia, e mostrou energia e atitude quando foi exigido.

O som dos Monkeys foi sensacional, e as músicas do novo cd ficaram muito boas ao vivo, o que era uma dúvida minha devido à atmosfera um pouco sombria da maioria das músicas. "Don´t sit down Cause i´ve moved your chair" começou o show bem, e a banda soube dosar grandes sucessos com outras músicas do disco novo, para não esfriar a galera que resistia à chuva fraca que caía naquele domingo.

Não houve quem não dançasse e pulasse em "Fluorescent Adolescent" e "I bet that youlook good on the dance floor", as bolas de segurança da banda. Como fã, senti falta de Leave before the lights come on e  A Certain Romance, mas me parece que a banda não se preocupa muito com clichês e não pretende se tornar dependente de algumas músicas em shows.

Há de se ressaltar também a energia do baterista Matt Helders, firme e vibrante emmúsicas como "The View From The Afternoon" e "Brick By Brick". O restante da banda compõe bem o meio de campo, sem comprometer o funcionamento da equipe, mas também sem brilhar muito. O encerramento com "505" deixou um gostinho de quero mais e uma saudade imediata assim que os roadies entraram no palco para retirar os equipamentos. Depois de um show desse, sempre fica a impressão de que "eles poderiam ter cantado mais"(talvez seja esse o segredo do sucesso), mas mesmo assim valeu.

sábado, 14 de abril de 2012

A apoteose de Dave Grohl

O Show do TV On The Radio parecia interminável para os mais de 70 mil presentes no Jóquey de SP, mas ao final do primeiro dia de Lollapalooza tudo pareceu valer a pena. Dave Grohl e seus companheiros de banda conseguiram em todos esses anos de carreira fazer o que poucas bandas na história conseguiram: fazer do Foo Fighters uma banda admirada por quase 100% dos fãs de rock do mundo. E isso pôde ser provado no show do dia 7 de abril no Lollapalooza Brasil, mesmo depois de mais de 11 anos de ausência dos palcos brasileiros, o Foo só conseguiu ser mais idolatrado, como se fosse uma torcida que espera por um título por muito tempo e isso faz com que ame ainda mais seu time.

Como representante dessa legião de fãs ansiosos pelo retorno da banda, achei a escolha do setlist muito feliz, fora Hey Johnny Park! (que não sei por que cargas d'água tocam até hoje). Foram tocadas músicas de todos os CDs, todas as fases, todos os singles, as músicas mais famosas no momento certo. Um início arrasador com All My Life, e um final emocionante com a esperada e fuderosa Everlong, sem aquelas pausas gigantescas que Dave estava ficando viciado em fazer (e fez em algumas músicas nesse show).

Dave conseguiu prender a atenção do público durante as duas horas e meia de show. Também fez rir em sua imitação de banda iniciante, conversando com o público como se ninguém os conhecesse. O momento dos solos também foi bem conduzido, principalmente a parte dedicada ao tímido Nate Mendel, e também com o "tiozão" Pat Smear, que deu uma de sem noção, quebrando a guitarra e chutando pelo chão. Dave brincou, avisando às crianças que "precisa-se de muito treino para fazer isso". Antes do bis, também foi uma boa sacada a conversa/negociação entre Dave e o público sobre quantas músicas eles cantariam ainda. Taylor Hawkins jogou do lado da galera, e "conseguiu" mais cinco músicas, duas delas com a também divertida Joan Jett.

Tecnicamente, o show não deixou a desejar em nenhum momento. Todos perfeitos e muito bem sintonizados, com toda a maturidade sonora alcançada ao longo de seis álbuns e tantos anos de estrada. Taylor, Chris, Nate e Dave mostram um entrosamento que, se não os faz candidatos ao posto de melhor banda, com certeza os consagra como uma das mais eficientes e carismáticas do rock atual. Veja abaixo o set list completo, copiado da Rolling Stone Brasil, porque eu não lembro tudo de cabeça né.

Set List:
“All My Life”
“Times Like These”
“Rope”
“The Pretender”
“My Hero”
“Learn to Fly”
“White Limo”
“Arlandria”
“Breakout”
“Cold Day in the Sun”
“Long Road to Ruin”
“Big Me”
“Stacked Actors”
“Walk”
“Generator”
“Monkey Wrench”
“Hey, Johnny Park!”
“This is a Call”
“In the Flesh?”
“Best of You”

Bis:
“Enough Space”
“For All the Cows”
“Dear Rosemary”
“Bad Reputation”
“I Love Rock 'n' Roll”
“Everlong”

terça-feira, 10 de abril de 2012

Corra, Lolla, Corra! (pra pegar o metrô)



Dedicarei o valioso espaço dos primeiros posts deste estimado blog para fazer observações gerais sobre o Lollapalooza Brasil, festival que aconteceu neste último fim de semana em São Paulo, com base no que vi e vivi nestes dois dias.

1 - Transporte Público - Começando pelas falhas, (porque sou jornalista e qual seria minha função no mundo senão falar mal das coisas?) quem foi ao primeiro dia sentiu que a cidade (ou a Prefeitura) de São Paulo não estava dando lá tanta importância ao evento, apesar da grande movimentação gerada pelo Festival. O transporte público manteve sua programação normal: O metrô fechou 1h da manhã, e havia poucos ônibus rodando, o que gerou um caos na estação do Butantã, a mais próxima do Jóquei, onde simplesmente não dava pra entrar na estação pela quantidade de gente aglomerada em apenas uma das entradas disponíveis(foto).

Muitos desistiram do metrô e se espalharam pelas ruas atrás de algum táxi que fizesse a gentileza de parar, ou algum ônibus que fizesse a gentileza de passar. Não sei se posso me considerar sortudo por conseguir um táxi depois de tentar por duas horas, mas foi assim que me senti depois que entrei naquele carro branco. Sensação logo cortada no momento de pagar os quase R$ 40 que o taxímetro marcou de lá até o hotel onde eu estava hospedado. Naqueles momentos de angústia, acho que até o maior fã do Foo Fighters deve ter reclamado do excepcional show de duas horas e meia que atrapalhou a volta pra casa. Além disso, poucos funcionários do evento sabiam dar informações precisas sobre ônibus ou outros meios de sair dali.

No segundo dia, talvez por ter menos gente (cerca de 60 mil, segundo informações), a volta foi mais tranquila, pelo menos pra mim, que voltei andando muito rápido até o metrô assim que os Macacos do Ártico deram seus últimos acordes, tudo porque a informação era que a estação fecharia exatamente 0h22 (não me pergunte o por quê do 22). Ainda assim peguei uma fila escrota antes da roleta.

2 - Preços das fichas - Amigo, espero que nunca seja considerado normal pagar R$ 8 num copo de 400 ml de cerveja. Assim como em um Hot Pocket da Sadia. Além do mais, você ainda corria o risco de algum dos ambulantes da Heineken encher teu copo de espuma e falar que "não tem jeito".

Título e Trocadilho

Não se impressionem pelo trocadilho sagaz no título deste humilde blog. Os nomes mais óbvios para blogs sobre música não estavam disponíveis, foram usados por espíritos de porco sem luz que já não escreve nada desde o século passado. A intenção deste espaço aqui é, pretensiosamente, expor minhas impressões sobre shows, CDs, bandas, músicas, lançamentos e quaisquer outros assuntos relacionados à música.

O diferencial daqui é que o debate vai estar sempre aberto, sem frescuras. Como não recebo e não devo nada a ninguém, posso falar mal à vontade do que bem entender (o que deve ser regra, de acordo com a minha fama de do contra), e falar sobre shows que normalmente não são pautas nos espaços tradicionais, tipo um show de pagode, quem sabe de funk ou de forró na esquina da sua rua. Onde quer que eu vá, qualquer show que eu assista e ache conveniente contar e descrever aqui, assim será. O critério é simples: É música, cabe. e sem dó.