terça-feira, 9 de julho de 2013

O rap sem medo de ser feliz




O "novo rap nacional" definitivamente não tem mais nada o que provar a ninguém. Sem se preocupar com antigos dogmas, sem se preocupar em forçar cara de mal e sem medo da mídia (muito pelo contrário), o show de lançamento do DVD do Criolo e Emicida na Fundição cumpriu bem as expectativas e coroou os dois principais nomes do rap nacional da atualidade.

Ao contrário de outros shows na Fundição, esse não começou tão tarde. Por volta de 1h30 da manhã a banda já estava a postos para soltar a primeira pedrada, "Zica, Vai lá". Sem deixar a pelota cair, Emicida emendou "Dedo na Ferida" para galera extravasar parte da raiva com os políticos do país. 

Ao final da segunda música, Emicida teve uma breve conversa com a galera para perguntar se já tinham visto o DVD, a deixa para chamar Criolo ao palco e levar a Fundição abaixo. Claramente a maioria dos fãs ali conhecia mais do Criolo, talvez pela maciça divulgação do evento na MPB FM. Ao final de cada sessão de duas ou três músicas, Criolo era ovacionado enquanto Emicida recebia aplausos mais tímidos, talvez por conta dessa característica geral do público.

Emicida apostou em bons hits que não entraram no DVD como "Vacilão" e "Sorrisos e Lágrimas" que não empolgaram a galera não tão conhecedora do seu trabalho. Criolo não arriscou e manteve o repertório do seu consagrado show do "Nó na orelha", mais do mesmo que funciona muito bem. Os dois, no entanto, mostraram entrosamento e naturalidade ao passar de música pra música, com ajuda de uma banda bem afiada e um Ganjaman sempre brilhante.

Rael da Rima também ganhou bastante espaço, tanto nos backing vocals, como na música própria de trabalho que cantou. Ao longo do show, Emicida foi ganhando a plateia com "Outras Palavras", "Rua Augusta" "Viva!" e seu hit maior, "Triunfo". 

Para compensar a ausência de Mano Brown, que participa do DVD, os MCs fizeram um tributo a grandes nomes do rap nacional como os próprios Racionais, De Menos Crime, Sabotage, entre outros. No final ainda teve tempo para um mini-baile funk comandado por Dan Dan, Rael e Emicida, para dar o tempero carioca ao momento. 

Os dois ainda seguem em turnê única por Curitiba, Florianópolis e São Paulo. Mesmo que os fãs mais mais exigentes de cada um sintam falta de algumas músicas dos shows solos, vale muito a pena presenciar esse momento icônico para o rap nacional, que assume um protagonismo inédito e grandioso no cenário cultural brasileiro. E o melhor de tudo, sem depender das grandes gravadoras. Vida longa aos dois.

PS: A foto é do Facebook oficial do Emicida