segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Às margens da Avenida Brasil

Dona Hilda e Teresa Cristina

Mesmo rivalizando as atenções com as aventuras de Carminha no último capítulo de Avenida Brasil, na sexta, Teresa Cristina e sua mãe, Dona Hilda, fizeram um show emocionante no Teatro Rival, principalmente para aqueles mais saudosistas. Elas se apresentaram na sexta e no sábado, (19 e 20/10) às 19h30, ou seja, a tempo de ligarem os telões da casa após o show para o público assistir ao final do folhetim global que parou o país.


Eu não estava muito preocupado com a novela. Fui ao show muito por curiosidade em relação ao repertório e à performance de Teresa, a quem ainda não tinha visto cantar ao vivo, mas também muito pela vontade da minha namorada.

Teresa foi quem entrou primeiro no palco, e logo de cara anunciou que, diferente do anunciado, não seria ela a protagonista do show, e sim sua mãe, que foi quem escolhera todo o repertório. Teresa confidenciou ao público também que a realização daquele show era uma vontade antiga de sua mãe, e o que mais queria era vê-la feliz.

Teresa começou cantando duas músicas, mas logo deu espaço à verdadeira estrela da noite,  Dona Hilda, que tomou conta do palco. Acompanhadas de apenas dois violões, a voz (de ambas) foi a grande protagonista da noite, em homenagem a grandes cantores da época de ouro do rádio, quando o importante para um cantor ou banda fazer sucesso não era o visual, e sim o gogó. Talvez algum espectador mais jovem possa criticar um exagero nas canções tristes escolhidas por Dona Hilda, que fez com que o show parecesse se arrastar em algumas canções.

Todavia, a maioria absoluta presente no show era de usuários do Riocard Sênior, e essa galera aplaudia fervorosamente Dona Hilda a cada clássico de Maysa, Nélson Gonçalves, Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira. Mais ou menos na metade do show, Teresa reapareceu para dar uma quebrada no ritmo cadenciado da mãe, e cantou dois sambas mais animados em dueto com sua progenitora.

Destaque para o momento de emoção de Hilda ao cantar "A volta do Boêmio" de Nélson Gonçalves. Pena que as duas tiveram que acelerar o final do show por causa da novela e cortaram duas músicas. Mas foi válido. E também foi legal ir a um show onde a plateia grita "Bacana!" em vez de qualquer palavrão.


sábado, 6 de outubro de 2012

Três pontos garantidos


Deu a impressão que Criolo e sua banda foram ao Vivo Rio nesta sexta-feira, dia 5 de outubro, a fim de resolver a parda logo nos minutos iniciais. Deu certo. Sem muita enrolação, grandes hits do Nó na Orelha abrindo o show, e uma canja inspirada de Ney Matogrosso, rapper e banda ganharam rapidamente a plateia, que não lotava  o Vivo Rio, mas esbanjou energia em pouco mais de uma hora de show.

Às 23h30min, pode-se dizer que pontualmente (considerando os costumes cariocas), pois os portões tinham sido abertos apenas uma hora antes, Dan Dan chamava a galera a largar suas cervejas do lado de fora do Vivo Rio para ver a apoteose de Criolo no Rio de Janeiro. O show foi curto, é verdade, mas não via-se uma alma insatisfeita ao acender das luzes.

Com grandes sucessos logo no início, "Mariô", depois "Sucrilhos" e "Subirusdoistiozin", Criolo poderia até declamar um verso do Ara Ketu, que o sucesso do show estaria garantido. Não faltaram também pedradas como "Grajauex" e outras músicas conhecidas como "Bogotá", "Vasilhame", "Lion Man" e "Não existe amor em SP" (não me cobrem o set list completo, pois eu não tinha papel pra anotar e nem tenho a memória tão boa). Performático, o cantor usou e abusou do espaço do palco durante todo o espetáculo, no qual usou três roupas diferentes. Muita presença, energia na voz e emoção nos gestos.

Ney Matogrosso foi convidado a subir no palco para cantar "Freguês da Meia-Noite", e foi muito bem, com sua já conhecida e esperada performance cheia de expressão corporal. Em seguida, largou "Preciso me Encontrar", de Cartola, no colo da galera, e devolveu o show pra Criolo em grande estilo.



Também há de se destacar a objetividade das falas de Criolo entre as músicas: sem encheção de saco em véspera de eleição, o recado já está presente nas letras de suas músicas. Talvez o único momento em que houve uma menção, mesmo que indireta, ao período eleitoral, foi no momento em que, emocionado pelo carinho do público carioca, declarou: "em São Paulo tá foda.." o que a galera de imediato entendeu como senha para puxar um coro de "Freixo, Freixo!".

Criolo, Dan Dan , Ganjaman e banda confirmaram seu poder de fogo. A banda se mostrou extremamente talentosa e afiada, e o público correspondia a cada chamada de Criolo ou Dan Dan. Se a pouca duração do show tinha o objetivo de deixar os cariocas com gostinho de quero mais, conseguiram.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Com o dedo na ferida

No último mês tivemos, na mesma semana, as duas cerimônias de premiação mais importantes do Brasil: O Prêmio Multishow e o VMB. Com estilos bem diferentes, os dois eventos conseguiram, de uma forma ou de outra, mostrar e consolidar a nova cara da música brasileira, sem muita frescura, e com mais atitude do que se via há mais ou menos cinco anos atrás no cenário nacional.

A mais premiada novidade, muito bem-vinda, por sinal, foi Gaby Amarantos. Com música estourada na novela das sete da Globo, a paraense provou que há vida depois do Calypso no norte do Brasil, e que as gordinhas também têm vez (Adele ainda tá na moda, né?). O outro destaque ficou por conta do rap nacional, que, especialmente no VMB, assumiu seu papel de protagonista na mensagem e na atitude, com consciência política e social. Criolo e Emicida, ambos premiados uma vez, fizeram posicionaram-se contundentemente contra as desocupações e incêndios "suspeitos" nas favelas de São Paulo, deixando claro que o momento ali não era de festa.

                                       
Sobre a produção, montagem e andamento dos eventos em si, cada um cumpriu bem a  função a que se propôs. O VMB e a MTV sempre tiveram uma pegada mais inovadora, de lançar tendências, e é isso que se nota ao se olhar a relação de indicados e premiados.

Nomes como Projota, BNegão, Waldo, Cascadura, Vivendo do ócio, CW7, Rashid e Teatro Mágico têm até relativo sucesso em seus nichos, mas não são conhecidos do grande público, tipo a minha empregada ou a sua tia que assiste Avenida Brasil e TV Fama. Já o Prêmio Multishow apelou para Ivete Sangalo como apresentadora (que foi bem mais ou menos, a propósito) ao lado de um outro comediante ainda  mais sem graça e puxa saco de artista, e apostou em nomes já consagrados da música brasileira como Michel Teló, Paula Fernandes, Thiaguinho, Ana Carolina, NX Zero e a própria Ivete entre os indicados e premiados.

Não acho que cabe aqui comentar se os prêmios foram ou não justos, por que isso é uma questão que se limita ao gosto e opinião de cada um dos jurados, ou do público que votou. De unanimidade (justa) nas duas premiações somente Gaby Amarantos, que dá uma arejada na cena pop nacional.

Já no que diz respeito aos shows, o VMB sobrou em relação ao Prêmio Multishow. O canal da Globosat apostou em parcerias de novos talentos e nomes consagrados como Ana Carolina e a boa Jesuton, que tentou, mas não conseguiu salvar ninguém do tedioso "É isso aí". O Titãs fez uma apresentação boa com "O Terno", e Gaby Amarantos foi muito aplaudida em sua apresentação com Lia Sophia e Felipe Cordeiro (Quem?²). Ivete fechou a noite cantando com a banda Filhos de Jorge, enfim, nada que fizesse o coração do público bater mais forte.

Em compensação, a MTV investiu pesado nas apresentações musicais. Botou logo de saída um showzaço do Planet Hemp com direito a D2, B Negão em um show de 17 minutos pra ninguém botar defeito. Emicida tocou "Dedo na Ferida" com Rashid e uma banda de respeito: Igor Cavalera, Lúcio Maia (Nação Zumbi) e Joe (Pitty). Ainda teve ConeCrew Diretoria, com um show animado, mas que acabou em segundo plano por causa da grandiosidade dos outros shows. Agridoce, da Pitty, Gal Costa e Karina Buhr também fizeram apresentações de muito bom gosto.

Pra finalizar, um show épico de meia hora do Racionais, como nunca antes na história de outras premiações no Brasil:


Por fim, cada premiação pode aprender um pouco com a outra. A Mtv não precisa ser tão avessa ao que faz sucesso com o povão. Apresentar indicados tão desconhecidos do público pode diminuir e um pouco a grandiosidade da premiação e esvaziar o evento. Ao mesmo tempo, o Prêmio Multishow poderia arriscar mais e não simplesmente ignorar alguns novos nomes que mereciam mais indicações, principalmente do rap nacional, e outros da cena independente.

Nessa sexta-feira tem show do Criolo no Vivo Rio. estarei lá, e pretendo escrever aqui minhas impressões sobre o show e tudo mais. Dia primeiro de novembro tem também show do MC Marechal no Méier, junto com outras revelações do rap carioca. Nas próximas semanas eu explico tudo direitinho por aqui.