A mais premiada novidade, muito bem-vinda, por sinal, foi Gaby Amarantos. Com música estourada na novela das sete da Globo, a paraense provou que há vida depois do Calypso no norte do Brasil, e que as gordinhas também têm vez (Adele ainda tá na moda, né?). O outro destaque ficou por conta do rap nacional, que, especialmente no VMB, assumiu seu papel de protagonista na mensagem e na atitude, com consciência política e social. Criolo e Emicida, ambos premiados uma vez, fizeram posicionaram-se contundentemente contra as desocupações e incêndios "suspeitos" nas favelas de São Paulo, deixando claro que o momento ali não era de festa.
Sobre a produção, montagem e andamento dos eventos em si, cada um cumpriu bem a função a que se propôs. O VMB e a MTV sempre tiveram uma pegada mais inovadora, de lançar tendências, e é isso que se nota ao se olhar a relação de indicados e premiados.
Nomes como Projota, BNegão, Waldo, Cascadura, Vivendo do ócio, CW7, Rashid e Teatro Mágico têm até relativo sucesso em seus nichos, mas não são conhecidos do grande público, tipo a minha empregada ou a sua tia que assiste Avenida Brasil e TV Fama. Já o Prêmio Multishow apelou para Ivete Sangalo como apresentadora (que foi bem mais ou menos, a propósito) ao lado de um outro comediante ainda mais sem graça e puxa saco de artista, e apostou em nomes já consagrados da música brasileira como Michel Teló, Paula Fernandes, Thiaguinho, Ana Carolina, NX Zero e a própria Ivete entre os indicados e premiados.
Não acho que cabe aqui comentar se os prêmios foram ou não justos, por que isso é uma questão que se limita ao gosto e opinião de cada um dos jurados, ou do público que votou. De unanimidade (justa) nas duas premiações somente Gaby Amarantos, que dá uma arejada na cena pop nacional.
Já no que diz respeito aos shows, o VMB sobrou em relação ao Prêmio Multishow. O canal da Globosat apostou em parcerias de novos talentos e nomes consagrados como Ana Carolina e a boa Jesuton, que tentou, mas não conseguiu salvar ninguém do tedioso "É isso aí". O Titãs fez uma apresentação boa com "O Terno", e Gaby Amarantos foi muito aplaudida em sua apresentação com Lia Sophia e Felipe Cordeiro (Quem?²). Ivete fechou a noite cantando com a banda Filhos de Jorge, enfim, nada que fizesse o coração do público bater mais forte.
Em compensação, a MTV investiu pesado nas apresentações musicais. Botou logo de saída um showzaço do Planet Hemp com direito a D2, B Negão em um show de 17 minutos pra ninguém botar defeito. Emicida tocou "Dedo na Ferida" com Rashid e uma banda de respeito: Igor Cavalera, Lúcio Maia (Nação Zumbi) e Joe (Pitty). Ainda teve ConeCrew Diretoria, com um show animado, mas que acabou em segundo plano por causa da grandiosidade dos outros shows. Agridoce, da Pitty, Gal Costa e Karina Buhr também fizeram apresentações de muito bom gosto.
Pra finalizar, um show épico de meia hora do Racionais, como nunca antes na história de outras premiações no Brasil:
Por fim, cada premiação pode aprender um pouco com a outra. A Mtv não precisa ser tão avessa ao que faz sucesso com o povão. Apresentar indicados tão desconhecidos do público pode diminuir e um pouco a grandiosidade da premiação e esvaziar o evento. Ao mesmo tempo, o Prêmio Multishow poderia arriscar mais e não simplesmente ignorar alguns novos nomes que mereciam mais indicações, principalmente do rap nacional, e outros da cena independente.
Nessa sexta-feira tem show do Criolo no Vivo Rio. estarei lá, e pretendo escrever aqui minhas impressões sobre o show e tudo mais. Dia primeiro de novembro tem também show do MC Marechal no Méier, junto com outras revelações do rap carioca. Nas próximas semanas eu explico tudo direitinho por aqui.

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