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| Gil e Caetano na Suiça (Foto: REUTERS/Denis Balibouse) |
O show do último domingo, 18 de outubro, no saudoso Metropolitan (agora Citybank Hall), foi uma pequena mostra do poder e talento dos dois. O próprio show no domingo foi incluído na turnê carioca após o alto volume de procura pros dois outros shows, na sexta e no sábado, que a princípio eram os únicos previstos.
Cheguei no show um pouco atrasado porque achei que o horário era 20h30, mas na verdade o início estava marcado para as 20h. Beleza, perdi cerca de quatro músicas somente, e consegui ver quase tudo das duas horas quase que ininterruptas de voz e violão da melhor qualidade possível de se encontrar nesse país, quiçá no mundo.
Confesso também que já sabia boa parte do script do show, pois já tinha visto no Multishow a exibição de São Paulo, que foi mantida à risca, desde a ordem das músicas (com algumas trocas) até os momentos em que cada um levanta e dança no palco, e as saída ensaiadas antes dos dois Bises. Aliás a sambadinha do Caetano Veloso, com todo o respeito, é meio constrangedora. Nessa idade e com a carreira dele, contudo, acho que vergonha não é mais uma questão para ele
O show é montado na tentativa de equilibrar o repertório ora de um, ora de outro, ora dos dois juntos. Nos momentos dos duetos, a voz de Gil, mais grave, quase sempre ofusca a de Caetano. Mas isso não parece incomodar ninguém. Gil também parece precisar de menos esforço para animar o público e estimular coros uníssonos em seus hits. Aliás, hits não faltam no show, como você pode ver na lista de músicas tocadas no final do post.
Os dois pouco interagem com o público. Talvez porque as letras de suas músicas falem por si. O show tem alguns pontos altos: Super Homem, Esotérico, Não tenho medo da morte, onde Gil só canta e batuca no violão com uma voz rouca, Toda menina baiana, Expresso 2222 e as seis últimas músicas, que fizeram muitas pessoas levantarem de suas mesas e se aglomerar na frente do palco e nas laterais. Pena que a maioria fez isso para filmar ou fotografar melhor com o celular.
As adaptações no repertório foram muito felizes: Fechar com Aquele abraço, As camélias do quilombo do Leblon, anunciada por Caetano como a mais recente composição da dupla
Caetano e Gil cantando "Nossa Gente"
Cada letra e cada melodia remetem a uma época/momento diferente da vida dos dois artistas, e de todos os seus fãs. Desde os festivais de música, aos momentos de exílio na ditadura, ou as exaltações do povo e das riquezas do Brasil, Caetano e Gil não contam nesse show apenas suas histórias musicais, mas também uma parte muito importante da história do Brasil nos últimos 50 anos. E esse mosaico riquíssimo e difícil de ser montado diante de tamanho repertório, dá uma dimensão enorme a esse show, que pode ser o último dos dois em dupla. Sorte de quem viu.
- Back in Bahia
- Coração vagabundo
- Tropicália
- Marginália II
- É luxo só (João Gilberto cover)
- É de manha
- As camélias do quilombo do Leblon
- Sampa
- Terra
- Nine Out of Ten
- Odeio Você
- Tonada de Luna Llena
- (Simón Díaz cover)
- Eu vim da Bahia
- Super Homem (A Canção)
- Come prima (Tony Dallara cover)
- Esotérico
- Tres Palavras
- Drão
- Não Tenho Medo da Morte
- Expresso 2222
- Toda menina baiana
- São João xangô menino
- Nossa gente
- Andar com fé
- Filhos de Gandhi
- Desde que o samba é samba
- Domingo no parque
- A luz de tieta
- Leãozinho
- Aquele abraço





