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| Emicida no palco do Circo Voador |
O roteiro do show pode ser dividido em duas partes: A primeira, onde são tocadas todas as músicas do CD novo, e a segunda, onde Emicida faz meio que um pout-porri de seus maiores Hits pra agradar também a galera das antigas. A versão suingada de "I Love Quebrada" ficou muito boa, por sinal.
O show teve ótimas participações de Tulipa Ruiz, Quinteto Branco e Preto, Wilson das Neves e Elisa Lucinda (que tava uma figuraça no palco). Aliás, os encontros no palco foram muito bem aproveitados, e pareciam muito bem entrosados. Depois de cantar e ouvir o público cantar "Sol de Giz de Cera", Tulipa e Emicida repetiram o medley que têm feito em outros shows, com "Aqui", da cantora, e a segunda parte de "Outras Palavras", do anfitrião da noite. (Abaixo, um vídeo tirado do youtube da entrada e da primeira música do show, BANG!)
Antes da participação de Tulipa teve aquele momento mais pesado com Crisântemo, um relato autobiográfico de Emicida, assim como grande parte do "Glorioso...". No lugar da fala da mãe, o rapper encaixou uma rima nova, que preparou o terreno pra música seguinte coma Tulipa, mais leve, como na ordem do CD.
Outro momento de destaque no show foi antes de "Trepadeira", que teve participação divertida e aclamada de Wilson das Neves. Como que para contextualizar a música acusada de machista por alguns grupos feministas, Emicida cantou "Vacilão", que é a história oposta da música nova, ou seja, um cara que pega geral e perde a mulher. Me lembrei na hora do argumento dele ao se defender em um post no Facebook. Pelo menos ali não houve qualquer tipo de manifestação contrária à letra, nem menção à polêmica pelo próprio Emicida. A indireta estava dada.
Talvez o único aspecto passível de crítica (tanto no CD quanto no show, mas principalmente no CD), ao colocar a catarse do show de lado, seja o excesso de letras personalistas, que falam de vitória pessoal. Isso não chega a ser um problema, é inclusive uma corrente/estilo inerente ao Rap, mas que em excesso, caso a criatividade do artista comece a minguar, pode levar o trabalho a parecer um grande livro do Paulo Coelho, como acontece com muitos caras experientes que não se renovam, ou seja não têm repertório suficiente ou coragem para arriscar variar de assunto e inovar.
Letras desse tipo são também mais aceitas pelo público em geral e pelo mercado, o que talvez seja um objetivo do Emicida (o que não condeno), e ele próprio já falou em entrevistas que deseja alcançar a maior quantidade possível de espaços e pessoas com a sua música e mensagem. No entanto, essa proposta foge um pouco do que eu considero ser o ponto mais interessante do Hip-Hop em sua faceta de movimento social, que é o de mudança pela ação coletiva e pela conscientização dos problemas coletivos da sociedade como um todo. Do ponto de vista musical, não acredito que deva haver limites para a criatividade e versatilidade do artista, nem acho que seja saudável limitar-se apenas a um estilo.
Até aqui, Emicida tem e mostrado preparado contra essas "armadilhas", porque até aqui ele tem combinado de maneira sábia as histórias individuais contadas em suas letras aos problemas comuns de grande parte do povo das periferias do Brasil, o que gera identificação e também conscientização.
Emicida fez questão também de exaltar os nomes consagrados do rap, de MV Bill, Racionais a Marechal, e também de lembrar uns funks antigos, que claro, todo bom carioca curte um pouco. O show durou mais ou menos duas horas, ou duas horas e meia, com tempo de sobra pras conversas de Emicida com Nyack, e as participações de Fióti e Rael em "Só Mais uma Noite" e "Outras Palavras", respectivamente.
Em resumo, esse CD e essa turnê consolidam Emicida em um novo patamar musical. O que só aumenta a curiosidade e a exigência sobre seus próximos trabalhos, que precisarão manter esse alto nível alcançado.
