quinta-feira, 4 de abril de 2013

Um táxi pra estação lunar


Foto tirada do meu celular mesmo, por isso que tá ruim

Talvez o show de Geraldo Azevedo coubesse melhor em uma casa em que se pudesse ficar de pé e dançar. Foi realmente uma pena ouvir algumas de suas músicas mais animadas sentado, por mais que alguns casais tenham se arriscado a levantar e dançar um pouquinho, mais pro final do show.

Fui no show do dia 23 de março, um sábado, no Teatro Rival, sem muita expectativa, já que não conheço quase nada da obra de Geraldo, fora algumas músicas que escutei na própria semana do show, só pra não boiar totalmente. Esperei por "Dona da minha cabeça", a segunda música do show, e fui atendido logo depois da primeira música. A temporada fez parte da comemoração de 79 anos da casa, com três shows, nos dias 21, 22 e 23 do mês passado.

Geraldo interagiu muito bem com a plateia nos intervalos entre as músicas, e mostrou bastante de seu lado ativista, ao falar sobre as questões que afligem o Nordeste, como a seca e a situação dos rios, especialmente do São Francisco, rio com o qual o cantor tem relação íntima, pois nasceu em Petrolina, Pernambuco, às margens do velho chico.


O rio foi inspiração para seu último CD, "Salve São Francisco'", de 2011, no qual canta com outros ilustres intérpretes da música brasileira oriundos de cada estado cortado pelo São Francisco. Geraldo foi acompanhado por seus filhos Lucas Amorim e Tiago Azevedo nas percussões, e Clarice Azevedo nos vocais, que inclusive escolheram parte do repertório do show. 

Clarice teve um destaque maior, fazendo os vocais de apoio, e depois, cantando sambas de sua própria autoria. A voz da menina não chega a impressionar, talvez pela comparação imediata à voz grave do pai, mas as letras da menina não fogem muito dos clichês de outras novas (e boas, diga-se de passagem) cantoras de samba/mpb. 

Outros momentos dignos de nota do show foram "Táxi Lunar", "Bicho de sete cabeças", trilha do filme homônimo estrelado por Rodrigo Santoro, "Canção da Despedida", "Ai que saudade D'ocê", "Moça Bonita", entre outras que a galera sabia de cor, mesmo os mais novos (que não eram tão poucos no teatro). 

Um dos ápices do show foi "Dia branco", linda canção e letra que é por vezes mais lembrada por ser estragada cantada pelo Asa de Águia.  O cantor brincou que essa seria a música mais tocada em casamentos na Bahia. A simplicidade de Geraldo transborda em suas letras e conquista qualquer um, fácil. Abaixo a versão de Dia Branco do DVD do Geraldo. Vale muito a pena. 



Geraldo deve ganhar um destaque maior no decorrer desse ano, com o remake de Saramandaia, na Globo, que tem uma música sua na trilha. No mais, fica a lição aos mais jovens: busquem conhecer mais sobre os artistas do Nordeste de outrora, com certeza há muitas pérolas esquecidas por aí.