segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Um show pra manual

copyright ®Marcos Hermes / Agência Lens
Quem viu o show do Foo Fighters ontem, dia 25 de janeiro de 2015, no Maracanã, teve uma certeza acima de todas. Dave Grohl conseguiu moldar a si próprio e a banda para ficarem perfeitamente à vontade na frente de grandes públicos, como se estivessem tocando em um barzinho pequeno ou nos fundos de uma casa, dentro de uma garagem. Dave sempre interage muito bem com o público e faz com que as duas horas e meia de show passassem voando.

Sou suspeito para falar que o show foi muito bom, porque sou muito fã da banda, mais especificamente desde 2003, quando vi o clipe de Times Like These pela primeira vez. Em 2004 já fazia parte da comunidade do Foo Fighters Brasil no Orkut e acompanhei todas as especulações de vinda deles desde 2005, arrependido por não conhecê-los ainda em 2001 quando eles vieram no Rock In Rio. 

Então é com essa base argumentativa que esse post será usado para expor o lado crítico do show, já que as coisas boas vocês já devem ter lido a maioria das coisas boas em outros sites. De início já adianto logo que não curti ainda esse cd novo. Acho muito maneira a ideia da viagem por várias cidades, descobrir as diferentes histórias, entrevistar as personalidades locais, mas musicalmente achei o resultado frustrante, e isso ficou claro na reação do público ao vivo quando Dave cantou as músicas novas. Não pegaram e, pelo que li, foi igual em São Paulo e em Porto Alegre. 

Para garantir os três pontos, Dave enfileirou logo depois de Something From Nothing (que a galera só sabe cantar porque toca toda hora no rádio) uma trinca de hits poderosos: The Pretender, Learn To Fly e Breakout. Todas cantadas em coros emocionantes. O show seguiu bem com Arlandria, My Hero e Big Me, mas a energia caiu em seguida, especialmente na sequência em que Taylor cantou Cold Day In The Sun. Nas turnês anteriores, Dave e Taylor trocavam de lugar, o que sempre é uma atração à parte, e de quebra dá mais fôlego pro baterista cantar tranquilo, com mais fôlego. Dessa vez, ambos permaneceram em seus lugares e a voz de Taylor sumia em vários momentos, em meio à barulheira muitas vezes desnecessária das três guitarras (foi mal, Pat Smear).

Os covers foram uma boa sacada e ficaram legais, mas poderiam ser menos. Acredito que muita gente preferia mais músicas dos próprios Foo Fighters do que ouvir Rush ou Queen, mas valeu o inusitado, e também tem a ver com a vibe atual do Dave, de recuperar influências. O tecladista , sexy sem ser vulgar, foi bem e trouxe uma aura diferente às músicas. O palco menor no meio do corredor é uma ótima sacada, aproxima a galera e dá outro clima pro show. Já tinha visto coisa semelhante num show do Rappa na Marina da Glória em 2011, o que não tira o mérito dos norte-americanos. E também não sei quem exatamente começou com essa moda. 


Dave também exagerou nas loongas pausas antes das partes finais das músicas mais famosas. Ele costuma fazer isso sempre, eu sei, mas dessa vez ele caprichou. Fez isso em Monkey Wrench, All My Life, Breakout, My Hero, e talvez em outras que não me lembro agora. Outro ponto negativo do show, pelo menos pra mim, é Skin and Bones, a música que eu acho mais chata deles e sempre está nos set lists. 

Ainda assim, a turnê tem saldo positivo. Com algumas diferenças no setlists, a banda é consistente em shows grandes e confirma mais uma vez seu nome entre os gigantes do rock atual. O fim do show foi com a sempre ótima e necessária Everlong. Quando começam os primeiros acordes todo mundo sabe que é a última música. Dave já deveria ter pensado em outro encerramento diferente pra acabar com essa previsibilidade. O que não significa que essa previsibilidade seja ruim. E que voltem logo. 

Setlist

1 – Something From Nothing
2 – The Pretender
3 – Learn to Fly
4 – Breakout
5 – Arlandria
6 – My Hero
7 – Big Me
8 – Congregation
9 – Walk
10 – Cold Day in the Sun (Including parts from “Mountain Song”, Jane’s Addiction, “Smoke on Water”, Deep Purple, and Blackbird, The Beatles)
11 – In the Clear
12 – This Is a Call
13 – Monkey Wrench
14 – Skin and Bones (Dave alone on acoustic guitar with Rami Jaffee on accordion on second half)
15 – Wheels (Dave alone on acoustic guitar)
16 – Times Like These (First half slow version only with Dave, second half normal version with full band)
17 – Detroit Rock City (Kiss cover)
18 – Tom Sawyer (Rush cover)
19 – Stay With Me (The Faces cover, Taylor on vocals. With solos from each member)
20 – Under Pressure (Queen & David Bowie cover, Taylor And Dave on vocals)
21 – All My Life
22 – Best of You
23 – Everlong


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