terça-feira, 13 de novembro de 2012

Boas novas no Rap carioca

Mc Marechal na Hip-Hop Trip
Foi uma noite que, daqui a uns anos, os presentes lembrarão contando vantagem aos amigos que não foram, por terem visto ali, num simples teatro, pertinho de casa, um capítulo importante da história do Rap carioca. Em shows vigorosos e contagiantes, nomes como Sant, Mr Break e Filipe Ret se juntaram a Marechal, atração principal da noite do dia 1º de novembro no Teatro Agildo Ribeiro, no Méier, na primeira edição da Hip-Hop Trip.

A casa não demorou a encher. Muitos na expectativa do show principal, mas também dispostos a ver um encontro legítimo do Hip-Hop na Zona Norte, cultura que vem sendo resgatada aos poucos com as rodas culturais ali perto, que têm reunido uma galera boa e ajudado a fortalecer a cultura. O show de abertura do Versólogos serviu pra esquentar o público, que também admirava a arte de Bruno Zagri e seu grafite ao lado do palco.

MC Sant, de apenas 17 anos, fez sua apresentação depois da primeira eliminatória da batalha de MCs, e mostrou porque é apontado por muitos do ramo como um dos nomes mais talentosos  do novo rap carioca. O jovem MC mostrou energia e personalidade em cima do palco, e com certeza conquistou ali mais alguns fãs.

Depois foi a vez de Filipe Ret, outro show muito aguardado, afinal o cara já tem uma boa quantidade de fãs na internet, e estava prestes a estrear clipe na Mtv. Suas letras mais famosas, Neurótico de Guerra e Só precisamos de nós, levantaram de vez a galera, e deixaram um clima ótimo para o show seguinte, de Mr Break.

Filipe Ret
Break, um dos maiores produtores de beat do Rio de Janeiro (quiçá do Brasil), mostrou segurança em seu show, no qual cantou boa parte de seu EP recém-lançado, Yin-Yang, e confirmou a boa expectativa em relação a sua apresentação. É claro o salto de qualidade quando se compara as músicas produzidas por Break com as de outros rappers, e sua naturalidade com o microfone em cima do palco, fruto de sua experiência.

Por fim, Marechal conduziu o público à catarse final que todos esperavam. Mesmo com uma forte gripe, deu o sangue enquanto esteve em cima do palco, e honrou o nome que já construiu no cenário nacional.não faltaram seus maiores Hits "Tem que ser sangue Bom", "Sua Mina ouve meu Rap", "É  a Guerra Neguinho" e outras que todo mundo ali sabia na ponta da língua.

Já tinha visto outro show do Marechal, na Xarpi do ano passado, no Circo Voador, e ambos os shows foram cheios de energia. Marechal consegue atrair as atenções de quem assiste e contagiar o público com a garra que demonstra ao declamar cada verso de suas letras. Não dá pra duvidar que ele canta com o coração, e isso talvez seja o principal motivo da cumplicidade que os fãs tem com o rapper.

Entre uma pausa e outra, Marechal reforçou sua crítica a MCs que, segundo ele, hoje fazem o que protestavam contra no início da carreira. Indireta pra alguém ou não, o recado foi dado e todo mundo ali parecia saber pra quem era. O momento mais emocionante do show e da noite foi na última música, quando Marechal chamou a galera toda pra cima do palco, todos se confundindo como diz o refrão de sua música e slogan principal, "Um Só".
Galera que lotou o Teatro Agildo Ribeiro
A Hip-Hop Trip foi um marco. Trouxe nomes consagrados, nomes em ascensão e jovens promessas do Rap carioca. Quem foi curtiu, quem cantou se emocionou. E ficou a impressão de que o Hip-Hop na zona norte precisava desse empurrão pra se consolidar além das fronteiras de Madureira, mesmo sem exposição na mídia tradicional pra se manter ou pra atingir seu público.

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