terça-feira, 19 de abril de 2016

Aula de Música e Consciência

A luz estourou e não dápra ver direito a projeção atrás do Criolo no palco. Foto do meu celular
Foi mais que um show. Foi um ato político. A apresentação do Criolo do dia 9 de abril, no Circo Voador, da turnê de lançamento do single Ainda Há tempo, Cd de 2006 do rapper, serviu para reforçar ainda mais o cunho político de suas letras, e a importância da mensagem do rap ao longo de todos esses anos.

Antes, o show do Marechal, outro professor do rap, já tinha preparado os espíritos, com pedradas como "É a Guerra", "GRIOT", "Viagem" "Sua mina ouve meu Rep" e umas palhinhas do CD novo, que ele disse em tom de brincadeira que estava em casa no computador dele. A espera segue.

O apoio demonstrado às recentes lutas dos estudantes nas escolas do Rio, dos professores da Uerj e das famílias dos jovens mortos pela polícia carioca nos últimos anos não pode passar despercebida.
As próprias letras do Criolo por si só já são um baita soco na cara sobre todos esses assuntos e sobre o momento político atual do país, mas mais do que nunca,  como disse Dan Dan antes de passar o microfone a uma familiar de um desses jovens assassinados, é preciso dar voz à favela.

O próprio Criolo, que não costuma conversar muito com o público além de agradecer, dessa vez conversou bastante. Intercalar músicas do Nó, do Convoque seu Buda e do Ainda Há tempo nas mais de duas horas de show, de certa forma serve também pra mostrar pra galera mais nova a importância do rap na década passada. Muitas letras escritas há 10 anos atrás, casos do Ainda há tempo, encaixam-se perfeitamente no contexto social do país hoje.

O trabalho gráfico projetado no telão logo atrás do Criolo foi um show à parte. Gerou uma interação muito maneira entre público, artista e música. Um momento especial foi a lua cheia centralizada enquanto o Criolo, com um senso de posicionamento de quem provavelmente foi orientado, à frente, cantava Não existe amor em SP, como se fosse apenas uma sombra. E na abertura do show, uma projeção do próprio Criolo, transformado em desenho animado, correndo. Tudo muito bem ensaiado, o que comprova mais uma vez que Criolo está cada vez mais profissional e atento a esses detalhes visuais que enriquecem uma apresentação, como muitos grandes artistas fazem pelo mundo, mas ainda poucos no Brasil sabem de fato fazer.


O setlist, mais ou menos (posso ter esquecido de algumas)
O que teve do Ainda Há tempo: Roba Cena, Até me emocionei, Tô pra ver, No Sapatinho, Vasilhame
Ainda Há Tempo; Demorô
Do Nó na Orelha: Sucrilhos, Grajauex, Lionman, Não existe amor em SP, Samba Sambei
Do Convoque Seu Buda: Convoque seu Buda; Cóccix Ência, Esquiva da Esgrima, Fio de Prumo;

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